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sábado, 27 de agosto de 2011
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
A Lenda do Pai Quati

Existe uma importante incidência da cultura negra na literatura rio-grandense, e este tema provém, em última hipótese, da abundância do material folclórico que as populações africanas herdaram de seus antepassados.No tempo da escravidão, no Rio Grande do Sul, era comum a fuga de escravos, e os que fugiam, arriscando a própria vida, ficaram conhecidos como “caiambolas”.Conta-se, que durante este período, em uma grande fazenda nos Banhados, município de Santa Maria, começaram misteriosamente a desaparecer coisas. Entretanto, sempre ficava um presente em seu lugar. Algo bem rústico ou artesanal era deixado como troca como: balaios, esteiras, potes de barro, enfeites de pena, etc. Nestas circunstâncias, o que realmente ocorria era uma troca e não um roubo. Esta diferenciada atitude, despertou a curiosidade do povo.-“É incrível!”, diziam todos.O imaginário popular passou então a fantasiar em torno do caso. E tal mistério logo foi associado com o demônio. A princípio, o povo não tocava nos objetos, temendo serem artes do diabo ou por achar que estivessem enfeitiçados. Mas, como o passar do tempo, verificando-se que as esteiras e os balaios não faziam mal a ninguém, muito pelo contrário, eram muito úteis, a prevenção desapareceu, chegando ao ponto de algumas pessoas deixarem à noite, em frente de suas casas, facas, tesouras, cordas, na esperança de que fossem trocadas por uma esteira ou balaio. Durante muitos anos estas transações ocorreram com muita naturalidade, pois já haviam perdido o cunho sensacionalista.Em certa ocasião, andando a melar escravos na mata virgem, que no centro de uma floresta, próxima de Banhados, elevava-se espiralando uma tênue nuvem de fumaça branca. Curioso e procurando desvendar o enigma, um preto galgou a copa de uma árvore gigantesca e lançando seu olhar em direção de onde saía a tal fumaça, descobriu uma clareira em meio a mata espessa, em a qual, um negro se entretinha a preparar uma carne nas brasas.Descendo, comunicou aos companheiros a descoberta. Foi então que resolveram capturar o negro, que logicamente, acreditavam fugido. Armados até os dentes, fizeram o cerco ao desconhecido e, avançando cautelosamente, caíram sobre ele, subjugando-o, apesar da resistência oposta pela vítima.Era um negro de proporções avantajadas e de aspecto medonho, em razão do cabelo emaranhado e pêlo irsuto que lhe cobria o rosto, onde os olhos cintilavam como brasas. Cobria-lhe o peito e as costas uma couraça de pele de quati costurada com cipó e, presa aos quadris, uma espécie de tanga de pele do mesmo animal.Levado até a fazenda, foi chamado de Pai Quati em razão de apresentar tão estranha indumentária. Entretanto, nada mais foi possível saber dele, pois não compreendia a língua portuguesa.Foi então chamados alguns escravos que haviam nascido na África, para que pudessem compreender o que Pai Quati tentava dizer. Fianalmente o contato foi estabelecido e descobriu-se que o estranho era de Moçambique. Explicou-se deste modo, o mistério das esteiras e dos balaios.O caso era o seguinte:Tendo o negro chegado ao Rio Pardo, em uma leva que seria vendida em um leilão, conseguiu ele evadir-se e, atravessando rios, precipícios e banhados, lutando com feras e as intempéries, alcançou a salvo Banhados, onde, dentro da mata virgem, armou sua choupana e vivia recluso.Como era um homem de boa índole e muito honesto, não queria se apropriar dos utensílios de que precisava, nem da carne que comia quando não conseguia caça. Assim, perito em manufatura de cestos e esteiras, meio de vida que o sustentava em sua terra, trabalhava, durante o dia, arduamente na fabricação de tais objetos, para, na calada do noite, misteriosamente, trocá-los por tudo aquilo que achasse à mão e que pudesse ser útil.Não demorou muito para que a comovente história do Pai Quati, correndo de boca em boca, enchesse a redondeza. Logo, todos passaram a admirá-lo. Uma auréola glorificadora circundou sua fonte negra, compensando-lhe os dias de amargura. Como era um homem livre, foi contratado para trabalhar como peão em uma fazenda. Entretanto, quando a saudade apertava, abandonava tudo e voltava a viver no mato, caçando quatis.Morreu de velho, passando quase toda sua existência solitário, mas acalentado pelo seio da floresta.O negro marcou e marca presença em nossa história, religião, geografia, língua, artes, esporte e política. Braços bravios de ancestrais negros lutaram em guerras que não eram suas, saindo da clandestinidade para tornarem-se uma presença consciente e símbolo de orgulho e esperança de sua raça. Sua contribuição para construção de um Rio Grande do Sul forte e livre deve ser sempre relembrada e agradecida por todos nós.
Texto pesquisado e desenvolvido por Rosane VolpattoLendas do Rio Grande do Sul
Dante de Laytano - Publicação Estadual de Folclore do Rio Grande do Sul; RJ; 1956
Mitos e Lendas do Rio Grande do Sul - Antonio Augusto Fagundes;
Martins Livreiro editorEstórias e Lendas do Rio Grande do Sul Barbosa Lessa;
Gráfica e Editora EDIGRAF Ltda; SP
Fonte:Entrevedo do Piazito e http://gauderionline.blogspot.com/
terça-feira, 23 de março de 2010
O CÓRREGO DAS LÁGRIMAS

CONTA-SE QUE UM BELO CACIQUE CHAMADO ABAETÊ, FOI ALVO DE GRANDE AMOR, POR PARTYE DE DUAS IRMÃS ÍNDIAS: PARAÍ E OBIRICÍ, AMBAS FILHAS DO PODEROSO FEITICIRO GUAPORÉ.
ABAETÊ GOSTOU MAIS DE PARAÍ, MAS NÃO TINHA CORAGEM DE CONTAR A NINGUÉM, POIS NÃO QUERIA MAGOAR OBIRICÍ. UM DIA, O GUERREIRO SUPLICOU A TUPÃ QUE LHE DESSE UMA IDÉIA DE COMO RESOLVER A SITUAÇÃO.
ENTÃO, DURANTE O SONO, RECEBEU A VISITA DA GRACIOSA SUMÁ, UMA DEUSA GUERREIRA, QUE DEU A ABAETÊ TODOS OS CONSELHOS NECESSÁRIOS, POR ORDEM DE TUPÃ.
ENTÃO, DURANTE O SONO, RECEBEU A VISITA DA GRACIOSA SUMÁ, UMA DEUSA GUERREIRA, QUE DEU A ABAETÊ TODOS OS CONSELHOS NECESSÁRIOS, POR ORDEM DE TUPÃ.
NA MANHÃ SEGUINTE, FOI IMEDIATAMENTE FALAR AOS JOVENS E DISSE:
- “FOI TUPÃ QUE ME MANDOU, DESEJO AVISAR QUE AS DUAS ÍNDIAS SERÃO SUBMETIDAS A UMA PROVA COM ARCO E FLECHAS. QUEM ACERTAR O ALVO SERÁ MINHA ESPOSA.”
AS ÍNDIAS, IMEDIATAMENTE SE PRONTIFICARAM A INICIAR A DISPUTA PELA CONQUISTA DO CACIQUE MUITO BELO E FORTE.
OBIRICI, A MAIS APAIXONADA DAS DUAS ÍNDIAS, FICOU MUITO NERVOSA, COM MEDO DE PERDER A COMPETIÇÃO E FICAR SEM O AMOR DE SUA VIDA, NÃO TEVE A MESMA DESTREZA DA OUTRA. ERROU O ALVO. FOI VENCIDA E VIU-SE OBRIGADA A DEIXAR QUE A VITORIOSA LEVASSE PARA AS TERRAS DE JATOBÁ O JOVEM PRÍNCIPE CACIQUE.
FICOU SÓ NO LOCAL ONDE OCORREU A DISPUTA, A OLHAR O CASAL ABRAÇADO E FELIZ QUE SE DISTANCIAVA. SUFOCANDO SOLUÇOS, AMARGURANDO-SE, NÃO TEVE ÂNIMO DE ABANDONAR AQUELE LOCAL.
- “POBRE DE MIM “ABANDONADA””, DIZIA ELA, E NENHUMA PALAVRA MAIS LHE SAIU DO PEITO EM PROFUNDOS SOLUÇOS.
ABATIDA E TRISTONHA, CORAÇÃO SANGRANDO, PEDIA QUE TUPÃ LHE CORTASSE OS DIAS DE SUA VIDA TÃO AMARGURADA. E A FORMOSA INDÍGENA, SÓ IMPLORAVA O FIM, ESTENDIA SEUS BRAÇOS PARA O CÉU.
NO DESESPERO DA DOR, AS LÁGRIMAS BROTARAM DOS OLHOS DE OBIRICI EM UMA ABUNDÂNCIA DESOLADORA. O CHORO CONTINUOU DIA E NOITE A CAIR, LÁGRIMAS CRISTALINAS E LUMINOSAS E, CORRENDO POR TERRA, DEIXARAM NELA, PARA SEMPRE CRAVADO O ARROIO CHAMADO PASSO DA AREIA OU IBICUIRETÃ...
DECORRIDOS ALGUNS DIAS, DEUS TUPÃ, APIEDANDO-SE DA POBRE ÍNDIA, VEIO BUSCÁ-LA. AS ÁGUAS DE SUAS LÁGRIMAS, PORÉM, CONTINUARAM A ROLAR, MARCANDO PARA SEMPRE NA TERRA DOS PAMPAS, A ANGÚSTIA INFINITA DE SUA DOR.
O IBICUIRETÃ, ESSE CÓRREGO DE LÁGRIMAS, NÃO EXISTE MAIS, POIS O PASSO DA AREIA, HOJE É UM BAIRRO URBANIZADO DA CIDADE DE PORTO ALEGRE. AS OBRAS DA URBANIZAÇÃO CANALIZARAM O RIACHINHO QUE A PRINCÍPIO, TORNOU-SE UM VALÃO. DEPOIS, FOI SOTERRADO PARA CONSTRUÇÃO DO SHOPPING CENTER DA ZONA NORTE.
MAS, A BELA OBIRICI NÃO FOI APAGADA DO CORAÇÃO DOS GAÚCHOS E EM SUA HOMENAGEM, PRÓXIMO A UM VIADUTO QUE LEVA SEU NOME, FOI IMORTALIZADA EM UMA ESCULTURA, QUE A REPRESENTA COM OS BRAÇOS ESTENDIDOS AOS CÉUS, IMPLORANDO QUE TUPÃ ACABE COM SEUS DIAS DE TÃO INTENSA DOR...


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FONTES: segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
2ª PARTE (continuação):
ANITA ESTAVA ESTUFADA DEPOIS DE COMER AS BANANAS. ENCOSTOU-SE À ÁRVORE E FALOU:
- VOCÊS SABIAM QUE EM SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA OCORRE A FESTA DA BANANA?
BENTINHO PERGUNTOU:
- FESTA DA BANANA? QUANDO ACONTECE?
- FESTA DA BANANA? QUANDO ACONTECE?
ANITA RESPONDE:
ESTE ANO SERÁ A 21ª FESTA DA BANANA DE SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA. PARA COMER TEM ESPECIARIAS Á BASE DE BANANA, SHOW E TENDAS DE PRODUTOS COLONIAIS E ARTESANATO. ACONTECE EM ABRIL, É UMA DAS COMEMORAÇÕES DO ANIVERSÁRIO DA CIDADE.
ESTE ANO SERÁ A 21ª FESTA DA BANANA DE SANTO ANTÔNIO DA PATRULHA. PARA COMER TEM ESPECIARIAS Á BASE DE BANANA, SHOW E TENDAS DE PRODUTOS COLONIAIS E ARTESANATO. ACONTECE EM ABRIL, É UMA DAS COMEMORAÇÕES DO ANIVERSÁRIO DA CIDADE.
TODOS FICARAM CURIOSOS, QUERENDO IR Á FESTA!
DONA ANA APARECEU CHAMANDO ANITA E BENTINHO PARA TOMAREM BANHO E JANTAR.
ANITA E BENTINHO DESEJARAM UM QUEBRA-COSTELA AO MACAQUINHO TIÃO.
FORAM Á COCHEIRA COM MINUANO. BENTINHO ABASTECEU A COCHEIRA COM RAÇÃO, FENO E ÁGUA.
MINUANO DISSE: “DURMAM BEM, GURIZADA” E ELES RESPONDERAM: “BOA NOITE!”
ENTRARAM EM CASA, ACOMPANHADOS DA CACHORRINHA. CUSCA TEM SEU CANTINHO NO QUARTO DE ANITA.
ENTRARAM EM CASA, ACOMPANHADOS DA CACHORRINHA. CUSCA TEM SEU CANTINHO NO QUARTO DE ANITA.
APÓS O BANHO E O JANTAR, ANTES DE DORMIR, ANITA ESCOVOU SEUS DENTINHOS, FEZ XIXI, PEDIU A BENÇÃO AOS SEUS PAIS E REZOU, AGRADECEU AS COISAS BOAS QUE SE PASSARAM DURANTE O DIA. DORMIU RAPIDAMENTE, EXAUSTA.
JÁ BENTINHO FICOU SENTANDO NA VARANDA, OBSERVANDO A BELEZA DA LUA CHEIA. O TIO ANTÔNIO SE APROCHEGOU E COMEÇOU A CONTAR A LENDA DA LAGOA DOS BARROS (de Santo Antônio da Patrulha):
“NA DIVISA DOS MUNICÍPIOS SANTO ANTÔNIO E OSÓRIO À MARGEM DA RODOVIA, EXISTE VASTO LENÇOL DE ÁGUA DOCE, CONHECIDO PELO NOME DE LAGOA DOS BARROS.
UMA LINHA SECA E RETA, PARTINDO DA SANGA DO PINHO, NA COSTA DA SERRA, ATRAVESSA A REFERIDA LAGOA, ALCANÇA O SANGRADOURO VELHO E SERVE DE DIVISA ENTRE OS DOIS MUNICÍPIOS.
CONTA A TRADIÇÃO, QUE EM UMA NOITE DE LUAR, UM CASAL DE NOIVOS EM EDÍLIO AMOROSO, PASSEAVA PELOS CAMPOS QUE MARGEIAM A COSTA DA SERRA. PELA MADRUGADA ADORMECERAM, QUANDO FORAM DESPERTADOS POR UM ESTRONDO PAVOROSO, SEGUIDO DE GRANDES RELÂMPAGOS QUE ILUMINAVAM OS CÉUS E AS ÁGUAS EM GRANDES BORBOTÕES DESCIAM DA ENCOSTA DA SERRA, ENVOLVENDO OS NOIVOS QUE FORAM TRAGADOS PELA IMENSIDÃO DAS ÁGUAS, FORMANDO ASSIM, A LAGOA QUE PASSOU A SE CHAMAR FORMOSA

COM MUITA FREQÜÊNCIA OCORRIAM MISTERIOSAS APARIÇÕES. EM CERTAS NOITES, QUANDO, MENOS SE ESPERAVA, SURGIAM DAS TREVAS FANTÁSTICOS CAVALOS BRANCOS, MONTADOS POR GÊNIOS ENCANTADOS, COM FEIÇÕES DE MULHERES A GALOPAR PELOS DESCAMPADOS, VINHA DAS ÁGUAS UM VENTO AQUECIDO E O BARULHO DOS CASCOS AUMENTANDO INFUNDIA PAVOR AOS HABITANTES DA ÁREA PRÓXIMA. QUEM JÁ AVISTOU A SINISTRA CAVALGADA GUARDA PARA SEMPRE A TERRÍVEL IMPRESSÃO DAS ALMAS PENADAS A CAVALGAR NOITE ADENTRO ATÉ SUMIR NA LAGOA”.
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quinta-feira, 27 de agosto de 2009
LENDA DA ERVA-MATE

Contam que um guerreiro guarani, que pela velhice não podia sair mais para as guerras, nem para caça e pesca, porque suas pernas não mais o levavam, vivia triste em sua cabana. Era cuidado por sua filha, uma bela índia chamada Yari, que pó tratava com imenso carinho, conservando-se solteira, para melhor se dedicar ao pai.
Um dia, o velho guerreiro e sua filha receberam a visita de um viajante, que foi m uito bem tratado por eles. A jovem cantou para que o visitante adormecesse e tivesse um sono tranqüilo, entoando um canto suave e triste.
Ao amanhecer, o viajante confessando ser enviado de Tupã, quis retribuir-lhes a hospitalidade dizendo que atenderia a qualquer desejo, mesmo o mais remoto. O velho guerreiro, sabendo que sua jovem filha não se casara para não abandoná-lo, pediu que lhe fosse devolvidas as forças, para que yari se tornasse livre.
O mensageiro de Tupã entregou ao velho um galho de árvore de Caá, ensinando-lhe a preparar uma infusão que lhe devolveria todo o vigor. Transformou ainda Yari, em deusa dos ervais e protetora da raça Guarani, sendo chamada de Caá-Yari, a deusa da erva-mate. E assim, a erva foi usada por todos os guerreiros da tribo, tornando-os mais fortes e valentes.
sábado, 1 de agosto de 2009

O boitatá é um dos bichos imaginários brasileiros mais antigos. Ele foi até citado em 1560 em um texto do Padre José de Anchieta.
A palavra “boitatá” (bóia = cobra, atatá = fogo) é de origem indígena, são características principais do boitatá: uma grande cobra transparente com um fogo de cor azul-amarelado.
Narra a lenda que houve um período de noite sem fim nas matas. Além da escuridão, houve uma enorme enchente causada por chuvas torrenciais. Assustados, os animais correram para um ponto mais elevado a fim de se protegerem. A boiguaçu, uma cobra que vivia numa gruta escura, acorda com a inundação e, faminta, decide sair em busca de alimento, com a vantagem de ser o único bicho acostumado a enxergar na escuridão. Decide comer a parte que mais lhe apetecia, os olhos dos animais. E de tanto comê-los vai ficando toda luminosa, cheia de luz de todos esses olhos. O seu corpo transforma-se em ajuntadas pupilas rutilantes, bola de chamas, clarão vivo, boitatá, cobra de fogo. Ela morre e reaparece nas matas serpenteando luminosa. Quem encontra esse ser fantástico nas campinas pode ficar cego, morrer e até enlouquecer. Assim, para evitar o desastre os homens acreditam que têm que ficar parados, sem respirar e de olhos bem fechados. A tentativa de escapulir apresenta riscos porque o ente pode imaginar fuga de alguém que ateou fogo nas matas. Aqui no Sul, acredita-se que o "boitatá" é o protetor do campo.
Fonte:
http://www.mundoeducacao.com.br/folclore/boitata.htm
http://www.paginadogaucho.com.br/lend/mboi.htm
sábado, 20 de junho de 2009

Contam os índios que, há muito tempo, numa tribo do Sul do Brasil, um jovem se apaixonou por uma moça de grande beleza. Melhor dizendo: apaixonaram-se. Jaebé, o moço, foi pedi-la em casamento. O pai dela perguntou: - Que provas podes dar da tua força para pretenderes a mão da moça mais formosa da tribo? - As provas do meu amor! - respondeu o jovem. O velho gostou da resposta, mas achou o jovem muito atrevido. Então disse: - O último pretendente de minha filha falou que ficaria cinco dias em jejum e morreu no quarto dia. - Eu digo que ficarei nove dias em jejum e não morrerei. Toda a tribo se espantou com a coragem do jovem apaixonado. O velho ordenou que se desse início à prova. Enrolaram o rapaz num pesado couro de anta e ficaram, dia e noite, vigiando para que ele não saísse nem fosse alimentado. A jovem apaixonada chorou e implorou à deusa Lua que o mantivesse vivo, para ser o seu amor. O tempo foi passando. Certa manhã, a filha pediu ao pai: - Já se passaram cinco dias. Não o deixe morrer. O velho respondeu: - Ele é arrogante. Falou nas forças do amor. Vamos ver o que acontece. E esperou até a última hora do novo dia. Então ordenou: - Vamos ver o que resta do arrogante Jaebé. Quando abriram o couro da anta, Jaebé saltou ligeiro. Seus olhos brilhavam e seu sorriso tinha uma luz mágica. Sua pele estava limpa e cheirava a perfume de amêndoa. Todos se espantaram. E ficaram mais espantados, ainda, quando o jovem, ao ver a sua amada, se pôs a cantar, como um pássaro, enquanto o seu corpo, aos poucos, ia se transformando em um corpo de pássaro! E exatamente naquele momento os raios do luar tocaram a jovem apaixonada, que também se viu transformada em pássaro. Então, ela saiu voando atrás de Jaebé, que a chamava para a floresta, onde desapareceu para sempre. Contam os índios que foi assim que nasceu o pássaro João-de-barro. A prova do grande amor que uniu esses dois jovens está no cuidado com que constroem a sua casa e protegem os seus filhotes. E os homens amam o João-de-barro, porque lembram da força de Jaebé; uma força que vinha do amor e foi maior que a morte! (Fonte: Ayala, Walmir. Moça Lua e outras lendas. Ediouro Publicações S.A.). O João-de-barro é um passarinho de nada. Como deve ser brabo, para ele, o esforço de levar no bico, por dias a fio, pedacinhos de barro e pedacinhos de capim. Mas não afrouxa o tutano, ajeita daqui, ajeita dali, voa para cá, voa para lá, traz, põe terra, não cansa, voa de novo, empurra com o biquinho os grãozinhos de terra, bate as asinhas doloridas de cansaço, se agiganta, vem a chuva ameaçando por tudo abaixo, ele remenda o que a chuva estragou, recomeça, vem o gavião voando para acabar com a vidade dele, ele foge, quando gavião vai embora ele volta, segue em frente, traz mais barro, chega ao topo, dá os remates finais... E olha lá, num amanhecer de primavera, o rancho todo construído e ele piando de felicidade ao lado da companheira. E agora podem vir chuvas, que isto não tem mais importância. E pode vir o gavião de novo, que os filhos estão dormindo com toda a segurança numa caminha de penas. Que lindeza! Se o joão-de-barro, que é um passarinho flaquito, pode fazer tudo isso com seu biquinho de nada, por que não poderá um homem construir sua felicidade? Basta querer! (Fonte: Lessa, Barbosa. Os Guaxos). Na tradição dos nossos campeiros, diz-se que o joão-de-barro, ou joão-barreiro, ou forneiro, não trabalha aos domingos e dias santos, a não ser quando, tendo chovido muito na véspera, aproveita a oportunidade para recolher o barro formado pelo aguaceiro. Em casa ou rancho com ninho de joão-de-barro não cai o raio; destruir o ninho atrai o raio e provoca a dispersão dos membros da família. Geralmente é respeitado até pelos guris, quando vão ninhar; e o campeiro o considera um símbolo da felicidade doméstica.
O joão-de-barro é pássaro tão integrado na paisagem crioula quanto o quero-quero.
(Fonte: MEYER, Augusto. Guia do Folclore Gaúcho. Editora Tecnoprint S.A.: Rio de Janeiro, p. 64)
Fonte: Site Bombacha larga
Fonte: Site Bombacha larga
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